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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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ALASCA E ZONA ÁRTICA DO CANADÁ SÃO DOS LOCAIS MAIS PERIGOSOS DO MUNDO PARA AS MULHERES

Mäyjo, 10.12.15

Alasca e zona árctica do Canadá são dos locais mais perigosos do mundo para as mulheres

Num dos locais mais inóspitos do mundo, os perigos reais para as mulheres do Árctico não vêm dos ursos polares ou do clima gélido, mas sim dos homens que lá vivem.

Nas comunidades rurais do Alasca e da zona árctica do Canadá, a província de Nunavut, a violência contra as mulheres tem vindo a crescer. Um inquérito, de 2010, feito a 900 mulheres do Alasca concluiu que 37% das inquiridas havia sido vítima de violência sexual. A percentagem é 12 vezes superior à média dos Estados Unidos. Já os casos de violação são quatro vezes superiores à média nacional. 74% das inquiridas tinha menos de 18 anos.

A situação estava a atingir proporções tão elevadas que em 2009 o Governador do Alasca lançou uma campanha para travar a escalada da violência sexual e abuso de menores.

Na província de Nunavut, a situação não é melhor. As 53 aldeias isoladas desta região possuem uma taxa criminal nove vezes superior à média canadiana. Os relatos de violência doméstica superam a média nacional em seis vezes e meia e um inquérito revelou que 52% das mulheres de Nunavut foram vítimas de violência física e 27% foi forçada em práticas sexuais. O Governo canadiano estima que apenas 29% dos casos de violência doméstica desta província são denunciados.

O isolamento de muitas destas comunidades torna a denúncia praticamente impossível, escreve o Daily Mail, já que o medo de represálias é elevado. Muitas das vítimas não só conhecem o seu agressor como são forçadas a viver na mesma comunidade que ele. Mesmo que uma mulher apresente queixa de violência doméstica não existem instituições sociais onde se possa refugiar.

As razões para estas taxas elevadas de violência para com as mulheres do Árctico são complexas. A falta de entidades policiais é uma delas. Das 53 comunidades da província de Nunavut, apenas 28 têm agentes da autoridade e destas 28, cerca de 15 possuem apenas dois guardas. No caso do Alasca existe um agente por cada meio milhão de hectares. A privação económica, costumes e evolução social lenta são outro dos factores que contribuem para a escalada da violência.

As mulheres do Ártico são, há muito, mais bem sucedidas que os homens, tanto a nível de educação como de emprego. Tal situação cria ressentimento e sentimentos de impotência e raiva nos homens, o que também pode explica o aumento da violência para com as mulheres.

CATARINA ALBUQUERQUE: “O ESTIGMA DA MENSTRUAÇÃO NÃO PERMITE QUE MUITAS RAPARIGAS DE PAÍSES POBRES VÃO À ESCOLA”

Mäyjo, 09.06.15

catarinaalbuquerque_SAPO

Desde que tomou posse em Novembro de 2008 como a primeira Relatora Especial das Nações Unidas para o Direito à Água Potável e Saneamento, Catarina Albuquerque visitou já muitos países e encontrou realidades muito diferentes no que concerne às questões de higiene e saneamento a que as populações têm acesso.

Para a relatora, um dos maiores flagelos que atinge as comunidades desfavorecidas dos países em desenvolvimento são os preconceitos com a intimidade feminina e a falta de condições sanitárias que permitam às mulheres e jovens raparigas ter uma vida normal e não serem condicionadas por funções biológicas naturais, como a menstruação.

“O estigma da menstruação não permite que muitas raparigas de países pobres vão à escola”, afirmou Catarina Albuquerque na passada sexta-feira numa conferência sobre higiene e saneamento promovida pela SCA e WSSCC durante a Volvo Ocean Race. De acordo com a relatora, este problema é “significante em muitos países”, já que por estigma ou falta de condições sanitárias, muitas raparigas não vão à escola quando estão menstruadas, o que acaba por afectar o seu desempenho escolar.

A UNICEF estima que uma em cada dez raparigas africanas falte à escola durante o período menstrual devido à falta de privacidade e condições sanitárias. “Este problema é o último tabu, mais profundo do que falar das fezes ou da urina”, apontou Catarina Albuquerque, contando que, por falta de condições sanitárias, muitas jovens são violadas quando se afastam um pouco das escolas ou aldeias para ir fazer as suas necessidades e cuidar da sua higiene íntima longe de olhares indiscretos.

Para Catarina Albuquerque a melhor forma de combater este preconceito é através de programas de educação e falar abertamente sobre o flagelo. “Antes os diplomatas não falavam sobre este problema”, indicou a relatora ao Green Savers à margem da conferência. “É a falar de uma forma descomplexada e a chamar os bois pelos nomes que se combate o problema. Normalmente somos recebidos com risinhos, mas é a falar das consequências que conseguimos ser levados a sério”.

Segundo a relatora especial das Nações Unidas, a falta de acesso a condições básicas de higiene e a marginalização pelas comunidades onde se inserem é um problema que está associado à descriminalização das mulheres. Como tal, são necessários mais programas de educação e uma maior sensibilidade dos governos para o problema para que possam ser alocadas mais verbas para a resolução da falta de condições sanitárias adequadas.

A Svenska Cellulosa Aktiebolaget (SCA) – que está a apoiar uma equipa feminina na Volvo Ocean Race com o objectivo de abrir portas às mulheres, dando-lhes a possibilidade de competir em igualdade de condições num mundo normalmente entregue aos homens – é uma das empresas que tem programas de educação para as raparigas africanas.

Responsável por marcas como a Tena ou a Colhogar, a SCA conseguiu fazer chegar os seus programas de educação a dois milhões de pessoas em 2014, tendo educado sobre temas como a puberdade e menstruação, desinfecção e lavagem das mãos, problemas de incontinência ou educação parental em países desfavorecidos.

Foto: Nações Unidas

As mulheres...

Mäyjo, 06.01.15

As mulheres...

em todo o Terceiro Mundo, produzem comida, gerem os lares e são progenitoras; em África, oitenta por cento dos alimentos consumidos no lar são criados por mulheres. No entanto, elas são, na maior parte dos casos, subalimentadas, sobrecarregadas de trabalho, sujeitas a constantes gravidezes e culturalmente oprimidas. Sem a plena participação delas nos programas de planeamento familiar não haverá um desenvolvimento equilibrado nos países com as mais altas taxas de crescimento demográfico.

Jonathan Porritt, Salvemos a Terra